quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ele me conhece!


Estou no capítulo 2 do Apocalipse. Deus envia uma mensagem para os cristãos em Éfeso. Eles possuiam muitas virtudes, começaram bem a vida cristã. Mas em algum momento, talvez imperceptível, o desvio começou. Aliás, é sempre assim: o mal se estabelece de forma sutil e lenta. É como um cupim que corrói aos poucos por dentro, e quando se manifesta por fora o estrago já está feito a muito.

A trinta anos atrás Paulo havia elogiado a fé e o amor dos Efésios (Efésios 1:15 3 16), mas agora Jesus os repreende por terem perdido o foco naquilo que era essencial.

"Tenho contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras"

Tenho aprendido que tão importante como começar algo bem, é nos mantermos bem durante o processo, e principalmente, terminarmos bem! Quantas vezes eu comecei muito bem, mas ao final o resultado foi péssimo.

Um cristão pode começar sua trajetória bem. Uma Igreja pode começar bem. Um casamento pode começar bem. Mas todos corremos o risco de terminarmos mal. Podemos ter boas intenções, bons ambientes, mas se a fé não estiver firmada  no terreno sólido, tudo terá sido em vão.

A Igreja pode perder o foco e virar uma instituição que distribui regras para as pessoas. Eu posso me tornar legalista e ficar exercendo o domínio sobre meus iguais.

Mauricio "quero voltar ao primeiro amor" Boehme

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ela me traz tristeza e Alegria.


Hojé é quarta-feira. Hoje é dia de participar de grupo caseiro. E no grupo caseiro hoje é dia de Ceia. A Ceia é essa mal compreendida entre nós. Muitas vezes ela acontece na solenidade dos cultos, onde parece ser tão rápida que mal dá pra gente se concentrar no que está acontecendo (afinal, o culto tem que terminar). Outras vezes ela acontece á beira da morte num leito do enfermo. Outras tantas ela se dá na presença festiva da comunidade cristã ou em eventos especiais. De terno, de bermudas, com gente boa, gente não recomendável... a Ceia vai acontecendo todos os dias mundo afora.

"Sinal visível de uma graça invisível", disse Agostinho. Mais do que um pedaço de pão e um suco a Ceia me traz à memória coisas tristes: morte, sofrimento, castigo. Olho para o pão em minhas mãos e penso que eu deveria ter morrido por causa dos meus erros. Eu deveria ter morrido, e não Cristo! Por mais que eu me esforçe não consigo ser fiel, ser verdadeiro e justo o bastante para que Deus diga: Eis um filho de quem tenho orgulho! Não, pelo contrário. Vivo essa vida dupla, lutando contra essa força que mora no meu corpo e tanto me domina, me fazendo errar e afastar de Deus. Tristeza, vergonha, dor. É isso que eu sinto. Com o copo de suco em minhas mãos, vejo que eu sou responsável pelo derramar daquele sangue inocente. Cada chibatada, cada humilhação, cada cusparada que Cristo levou eram dirigidas a mim na verdade. Mas o sangue dele, uma vez derramado, me trouxe vida, perdão, salvação, reconciliação. É muito complexo entender isso, mas pela fé eu aceito.

Meus batimentos se aceleram, a temperatura corporal aumenta e começo a transpirar acima do normal. O pão que está em minhas mãos, sem perceber, começa a ser amassado pela forte emoção que toma conta do meu corpo. De repente aquela tristeza toda que eu sentia começa a dar lugar a uma alegria. Esse sentimento bom vem da doce voz que sinto em meu coração, dizendo-me que sou amado, que sou aceito. Mesmo sendo errado e só dando tristezas ao Pai, ele se agrada da minha vida por causa do sacrifício que Jesus fez de si mesmo na cruz. Aquele pão representa o corpo. Aquele copo com suco representa o sangue. Já não sou mais culpado, sou reconciliado. Alegre, começo a louvar a Deus, e como o pão e bebo o suco. Eu trago para a minha vida essa "graça invisível" por meio desses "sinais visíveis".

Mais uma reunião termina. Cantamos, oramos e parece que a vida volta ao normal. E volta mesmo! Isso porque por meio da Ceia e seu significado eu assumo e confesso tudo o que Jesus fez por nós. Por isso, e somente por isso, é que a vida volta ao normal e toma o seu curso. E eu deixo a tristeza de lado e começo a viver a "imerecida vida, de graça recebi" da canção.

Que tal você vir com a gente participar da próxima Ceia?

Maurício "fazendo isso até que Ele volte" Boehme

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O outro lado da "Intimidade"


Muito tem se falado hoje sobre “intimidade”. Músicas, pregações, livros... Está na moda falar sobre isso. Está na moda pregar sobre isso!O dicionário Michaelis define intimidade como “ Qualidade de íntimo, Amizade íntima, relações íntimas. Familiaridade”. Não é isso que buscamos em nossa relação com Deus?
Para tanto, vamos meditar um pouco em João 3:19 – 21.

Contexto: Jesus está conversando com Nicodemus, um judeu estudioso do Antigo Testamento. Uma conversa sobre a divindade de Jesus se inicia (v.1 e 2), com a confissão por Nicodemus, de que Jesus só fazia seus milagres porque Deus estava com ele. Jesus então diz que só os que nascessem de novo poderiam ver as manifestações do Reino de Deus (v3). Nicodemus faz a famosa pergunta (v.4), e Jesus lhe explica (v. 5 a 8). Mesmo assim, Nicodemus não entende e pergunta como aquilo poderia acontecer (v.9). Jesus repreende Nicodemus pela sua incapacidade (ou falta de vontade) em entender o que ele explicava de maneira tão clara (v. 11- 12).  Novamente Jesus explica o conceito do novo nascimento (13 ao 18), e aperta o parafuso quando chega nos v. 19 a 21, onde nos ensina algo muito sério sobre intimidade. 

1 – A Intimidade é uma via de mão dupla
A iniciativa é de Deus, mas é preciso haver uma resposta da nossa parte. A luz veio ao mundo, mas é preciso ir até a luz! Ler e orar, praticar a vida cristã, cultivar os frutos do Espírito – tudo isso é um meio de nos aproximarmos da luz, de Deus.  Me preocupa essa busca pela intimidade onde apenas queremos que Deus venha até nós, que nos visite, que nos complete, etc... E a nossa parte? Precisamos sair, precisamos caminhar, precisamos praticar o evangelho. Quem se aproxima da luz se expõe (v.21). Quem se abre para Deus não pode esconder nada. Quando a Palavra entra em nós ela como que “separa juntas e medulas” e “discerne os propósitos do nosso coração”. Quanto mais eu me aproximo de Deus, mais eu conheço a respeito dele, mas também passo a me conhecer melhor. Sei quais são as minhas fraquezas, quais minhas qualidades, aprendo como me dominar mais...  Deixo Deus participar da minha vida.   
 
2 – A Intimidade e Santidade andam juntas
Não há como buscar uma sem a outra. O motivo pelo qual as pessoas se afastaram da luz é porque as suas obras eram más, e não havia desejo de mudança (v.19). Nas trevas tudo é mais complicado, não vemos claramente. A luz incomoda porque ela além de clarear, também mostra as imperfeições. Por isso muitas pessoas gostam de Deus e de Jesus, mas não querem se chegar muito perto pois isso implica em mostrar as imperfeições do nosso caráter. Quem fica de longe, ou que fica nas trevas não pode desfrutar da intimidade. 

 3 – A Intimidade tem um caráter evangelizador.
Quanto mais íntimo de Deus, mais vontade de anunciar a sua mensagem. “Conhecer Deus e Fazê-Lo conhecido” (lema da Jocum). O v. 21 nos fala de obras que serão manifestas, e isso tem a ver com prática, com missão, evangelização. Você não precisa sair por aí cantando e pulando para que todos vejam que você é cristão. Basta ter uma vida de intimidade com o Senhor, e todos verão isso! 

Maurício "mais perto quero estar" Boehme.

Esse texto foi base de uma pregação realizada em Santa Cruz do Rio Pardo em 31 de março de 2012, no Projeto Reino.

terça-feira, 20 de março de 2012

Cinco mais dois: cinco mil!

É dificil estar a sós com Jesus. Por onde quer que a gente vá a multidão nos segue. Ainda bem que o Mestre tem um coração bondoso, só assim mesmo para aguentar toda essa turma de doentes, atormentados e desajustados que a todo momento querem a sua ajuda. Agora mesmo uma moçada que eu não consigo contar está nos rodeando, e começam a reclamar que estão com fome. Alguns vieram me procurar, mas o que eu posso fazer? Eu também tenho fome. Penso que a melhor solução seja mandar cada um de volta prá sua casa e assim nos livramos do problema. Eu até vejo a necessidade das pessoas, mas parece que a dureza do meu coração é maior do que a minha compaixão. Mandar todos para suas casas aos meus olhos é a melhor solução. Muitas vezes eu fiz isso: tiro o corpo fora.

Não funcionou. O pessoal nos pressionou, e quando procuramos Jesus ele nos ordenou que alimentássemos a multidão. Você pode imaginar umas cinco mil pessoas? É muita gente! Ainda que tivesse um local para comprarmos comida, não teríamos dinheiro para tanto. Sabe, eu confesso que ás vezes não entendo Jesus. Ele parece meio fora da realidade. Ou só pode estar de brincadeira. Como nós iremos alimentar todo aquele povo? Eu sou muito prático, e no momento não vejo solução. Eu tenho esse costume, racional demais que sou apenas vejo o que está ao alcance dos meus olhos.

De repente um menino nos procura e, acreditem se quiser, traz a sua merenda para dividirmos entre todos. Sabe o que era? A maravilhosa quantidade de cinco pães e dois peixes! Meu, o que esse moleque pensa? Nem que eu tivesse uma faca a laser, que pudesse cortar microscópicamente em nanopartículas seria possível alimentar todos com aquilo que ele tinha. Jesus ás vezes me surpreende. Ele pega os cinco pães e dois peixes, ora agradecendo e começa a repartir entre todos. Não sei como, mas começam a sair do saco pães e peixes que não acabam mais! Todos são servidos, repetem e comem á vontade. Depois que todos se fartaram, a gente recolhe doze cestos cheios com as sobras, acredita nisso?

Eu fico envergonhado. Me retiro um pouco e começo a pensar em tudo o que vi. Fico pasmo pois aprendi uma preciosa lição, a de que o pouco nas mãos de Jesus é o suficiente. Ele pode transformar, aumentar, multiplicar, criar do nada! Ele é o Cara! Eu entendi a preciosa lição, de que não importa o pouco que eu tenha, se eu entregar esse pouco nas mãos do Senhor, Ele pode fazer muito com isso! Meu tempo, meu dinheiro, minhas habilidades, meus talentos, meus bens. Tudo isso, se eu guardar prá mim mesmo não é nada, mas se eu entregar a Ele aí se torna tudo!

Foi nesse dia que vi que a matemática do Reino é diferente. Aqui dois mais cinco são iguais a cinco mil! E ainda sobra!

Mauricio "entrego o pouco que tenho" Boehme.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Você espera ou faz acontecer?

Passei os últimos quatro dias num retiro espiritual da minha Igreja, a Vineyard Piratininga. Foram momentos maravilhosos de comunhão, louvor, lazer, bate papo e tantas outras coisas boas. Um dos momentos mais legais foi contar com a presença do amigo Gedeon nos trazendo a Palavra de Deus. Simples, preciso, contextual e ao mesmo tempo profundo e bíblico, numa de suas palestras o Gedeon falou sobre Atos 2 e aquela experiência da descida do Espírito Santo sobre aquelas 120 pessoas. É sobre isso que quero repartir algo com vocês.

Os cristãos em geral quase que "idolatram" aquela experiencia da descida do Espírito. Tanto que ela ficou conhecida como sendo nome de uma vertente das igrejas evangélicas, os "pentecostais". Muitos pensam que o auge da vida cristã é reproduzir a experiência vivida no cenáculo. Mas não é nada disso.

Tudo na vida tem um propósito. A descida do Espírito Santo sobre aquelas 120 pessoas teve como objetivo não a experiência em si mesma, mas algo maior. Os cristãos foram cheios do Espírito com a finalidade de proclamarem a mensagem do Reino. O fato deles falarem em outras línguas acentua essa "urgência" da proclamação do Reino de Deus. Aquelas cento e vinte pessoas saíram pelas ruas de Jerusalém falando não em línguas "espirituais", ou "dos anjos", ou "desconhecidas"; mas pelo contrário, saíram falando os idiomas das pessoas que passavam pela cidade naquele instante. Tanto que havia pessoas de todas as nações do mundo, e cada um ouvia aqueles 120 discípulos falarem das grandezas de Deus em sua própria língua materna. Não é á toa que o símbolo visível desse acontecimento foram "línguas"... Foi para que eles saíssem e falassem!

Mas o principal estava por vir. Depois de anunciada a mensagem do Reino, quase três mil pessoas se conscientizam da Verdade e abraçam a fé cristã. Dali surge uma nova comunidade, a comunidade CRISTÃ! A partir de agora tudo será diferente. As pessoas se reunirão de casa em casa, venderão suas posses para socorrer os necessitados, se auxiliarão nas orações e na amizade. Agora tudo será diferente, vida nova, novo Senhor! E esse Senhor vai acrescentando dia a dia novas pessoas, sem esforços, sem lançamento de CD´s, sem programa de Tv, sem campanhas evangelísticas nem distribuição de folhetos.

Agora chego no que eu queria dizer desde o começo. A experiência do Pentecostes não se repete. Ela acontece com um fim maior. Mas o estilo de vida da nova comunidade, esse sim, pode ser reproduzido diariamente, em qualquer época, em todas as partes do mundo, por qualquer pessoa. Não espere um pentecostes acontecer todos os dias, mas tente reproduzir uma vida de comunhão e amor, e aí sim as coisas acontecerão. Não espere um novo pentecostes. Faça a vida cristã acontecer na sua vida, todos dos dias!

E aí, você espera ou faz acontecer?

Mauricio "quero fazer acontecer" Boehme

sábado, 14 de janeiro de 2012

Facebook, BBB e Michel Teló

Cá estou eu novamente expondo minhas idéias nesse território de ninguém chamado Internet. E é justamente sobre isso que escrevo hoje. Talvez nem seja sobre a internet, mas sobre a liberdade de expressão. Sim, acho que esse assunto tem mais a ver.

Comecemos pelo Facebook. O que era uma sensação, algo dos "descolados" agora torna-se popular e todos estão virando a cara, procurando pela mais nova "sensação" das redes sociais. E quando todos migrarem para a próxima rede social, devido á "orkutização" do Facebook, ocorrerá a "facebooklização" da próxima rede social e assim por diante. Interessante essa dinâmica das redes sociais: as pessoas se expôem e depois colocam filtros e travas para restringir o acesso das... pessoas! Vai entender! Talvez não estejamos preparados para conviver com a tal aclamada LIBERDADE. Por vezes ela nos incomoda; por outras ela nos entristece pelo mal uso. Mas que tal respeitarmos as expressões, mesmo não concordando com elas? Que tal elevarmos o nível de nossas postagens e opiniões?

Falemos agora do BBB. Todo o ano é a mesma coisa: chega essa época e chovem críticas ao programa, que de um modo ou de outro todos assistem. O que eu acho? Penso que o BBB é uma experiência sociológica e tanto. Confinar pessoas diferentes num espaço reduzido e inflamar a competição entre elas expõe o que de mais esquisito existe na raça humana. Os que condenam dizem que tem pornografia, mentira, pecado, etc. Eu não acho que seja um  modelo de programa, mas não vejo nada além do que já assisto na sociedade moderna. Aliás, para mim, o BBB é o termômetro da sociedade. Não é o BBB que tem que mudar, somos nós aqui fora. Num desses reality-shows vi uma ex-garota de programa com mais sensibilidade e atitudes humanas do que aqueles de vida "correta". Vai entender. 

E o Michel Teló? Ninguém aguenta mais "aquela" música. Música simples, com acordes fáceis. Letra tonta que gruda na mente da gente. Mas é sucesso. Porque será? Será que ela não nos faz pensar que o Milton Nascimento disse que o artista deve ir onde o povo está? Criticamos o conteúdo dessa letra, mas temos que dar o braço a torcer pela sua popularidade. Conseguimos passar um conteúdo correto com tamanha facilidade? No nosso caso, nós cristãos, conseguimos passar as verdades que queremos pregar de uma forma tão simples e abrangente? Isso deveria servir de lição prá nós. Além disso, tudo o que é popular gera esse tipo de crítica, de que não presta. Se é americano não é bom; se é do norte é brega; se é popular é raso demais... o que agrada esse povo?  Vai entender...

Mauricio "não entendo" Boehme




segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Meu nome é Pedro. Estou afundando.


Prazer, meu nome é Pedro. Sinto por você me conhecer nesse momento delicado da minha vida, mas infelizmente as coisas não saem sempre como a gente planeja. Agora por exemplo, estou num dos momentos mais difíceis da minha vida: estou afundando no mar, prestes a morrer.

Eu sempre me achei "o cara". Sempre fui muito seguro e tenho aquela tendência forte de achar que posso controlar todas as coisas, e ás vezes, até mesmo as pessoas. Reconheço que tenho o que vocês chamam de "gênio forte". Sou teimoso, e não escondo de ninguém o que sinto: se gosto, você sabe. Se não gosto você também sabe de cara. Comigo não tem esse lance de hesitação, medo nem duas palavras. Acho que tudo isso tem seu lado bom, mas agora nesse momento vejo que me dei mal como nunca antes havia acontecido.

Estou no barco junto de meus colegas, e estamos atravessando para o outro lado do mar. É noite, faz frio e chove muito forte. O vento faz com que o frio seja insuportável, e dentro do barco todos estamos ansiosos prá chegar em terra firme. O barco se agita e confesso que tenho medo, muito medo, apesar de ser pesacador e conviver com o mar desde cedo. Sinceramente, me sinto perdido e confuso, pois todos se dirigem a mim esperando uma decisão.

Agora, quando penso que as coisas não podem piorar, eis que vejo algo incrível! No meio da tempestade toda, parece que um homem vem caminhando por cima das águas. A moçada que está comigo no barco se assusta, e todos pensam ser um espírito, ou um fantasma, e começam a gritar desesperados. Eu não sei se tenho medo, mas algo me deixa sossegado. Parece ser Jesus! Ele está andando por cima do mar no meio da tempestade! E mais, Ele me chama, e um fogo intenso toma conta do meu corpo. Tudo o que eu mais quero é pular daquele barco e ir ao encontro do Mestre. Nesse momento eu esqueço da Física, da gravidade, das leis naturais e dou os primeiros passos em cima das águas. É incrível! Eu sou demais! Aliás, sempre tive essa certeza, de que eu era especial! Estou andando, enquanto os demais estão morrendo de medo. Mas alguma coisa começa a dar errado. Faz frio, muito frio. A água gelada bate no meu rosto, o vento forte tira o meu equilíbrio. Por um momento eu vejo o que realmente estou fazendo... Tiro os meus olhos de Jesus e começo a reparar na cena na qual estou envolvido. Começo a afundar. Começo a me preocupar pois já não estou tão bem quanto antes. A água está pela cintura, meu Deus onde fui me meter? A tempestade é forte, O barco está longe e Jesus também. Nessas frações de segundo eu vejo toda a minha vida passar diante dos meus olhos. Foi prá isso que Ele me chamou, para me deixar morrer afogado? As águas estão no queixo, e mais rápido do que eu posso imaginar, estou submergindo. Você imagina o que é ficar sem ar, desesperado? O meu instinto básico é estender as mãos. Sinto que outras mãos envolvem as minhas. São as mãos de Jesus. Não vou perecer, Ele me socorre. Quando tudo parecia perdido, Ele surge e me salva!

Agora estou seguro, no barco. Todos estão em silêncio, esperando o que vai acontecer. Nesses poucos segundos eu chego a muitas conclusões sobre a minha vida. Vejo que não sou tão "fera" como pensei. Sou frágil, sou perecível. Eu quis mostrar que era cheio de fé, mas na verdade queria mostrar a todos que confiava em mim mesmo. Quando dei por conta da gravidade da tempestade, afundei. Desviei os meus olhos do Rei e me perdi. Mas Ele não desistiu de mim. Ele não passou a minha vez para outro. Ele não me condenou. Ele me socorreu, e me conduziu ao lugar seguro.

Esse sou eu. Esse é Jesus. O contraste entre nós é evidente. Eu não sou nada sem Ele. Ele é tudo em Si mesmo. Prazer, meu nome é Pedro. Estava afundando, agora estou vivendo.

Mauricio "meu nome também é Pedro" Boehme.

Esse texto foi escrito baseado na pregação de Milton Lucas no texto de Mateus 14, no dia 30/10/2011 na Vineyard Piratininga.