quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sapatos


É incrível como a gente deixa de perceber os ensinos que as pequenas coisas da vida poderiam nos trazer. Veja o exemplo dos seus sapatos. É, isso mesmo; olhe para os seus sapatos... De todas as peças do nosso vestuário, são eles que mais se moldam á forma do nosso corpo.


Olhe com atenção para os seus sapatos de uso diário. Se eles estiverem velhos, surrados e empoeirados será mais interessante você entender o que quero lhe dizer.


Ao olhar para os sapatos velhos eu vejo um pouco de mim mesmo. São eles que me acompanham, a pé ou de carro; chovendo ou com sol forte; com frio ou com calor. Lá estão eles: silenciosos, prontos a desempenharem a sua função. Eles me protegem e até me embelezam! Que beleza é quando saem da caixa, reluzentes e cheirosos. Com o tempo vão se tornando nossos companheiros, testemunhas oculares da nossa história. Neles eu posso confiar, mesmo quando não me lembro deles. E como uma segunda pele eles vão se moldando ao formato dos meus pés, como que se transformando numa identidade mais fiel que o meu número do RG! Ás vezes podemos reconhecer alguém apenas pelos seus sapatos!


Os sapatos não mentem jamais. Se somos ricos, percebemos pelos sapatos de materiais nobres. Se somos pobres, os trincos e solas descoladas nos acusam. Se pisamos torto, lá estão eles a os delatarem com sua forma incerta. Se estamos pesados, se corremos, se andamos na terra... Enfim, os sapatos não mentem jamais.


Olho para os meus sapatos e vejo como a vida é passageira. Ela também está se desgastando a cada dia. A beleza da vida é ser vivida da melhor maneira possível, antes que “venham os maus dias”. Olho para os meus sapatos e vejo as marcas que a vida me fez. Olho para os sapatos e vejo que preciso ser amado e aceito, assim como eles precisam ser engraxados e polidos. Na verdade vejo Deus em meio a todos esses sapatos: só Ele pode trocar a sola, colar, restaurar e dar novo alento para as vidas “gastas”.

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