quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Afinal, que mi(ni)stério é esse?


A música ocupa um lugar grande em minha vida. Através dela eu louvo a Deus, penso, me alegro, fico agitado, bato a cabeça. Mas confesso que estou enjoado de música. Não agüento nem mais ouvir a tal “música gospel” que por tanto tempo ouvi. Música de crente então, vixi... dá vontade de passar longe. Com raríssimas exceções, nem gasto meu tempo ouvindo esse tipo de música (cristã). Mas o que mais tem me deixado indignado é a incoerência desses “levitas” e o tipo de vida que levam.


Nada contra o cara querer gravar suas músicas e vender seus cd´s. Se Deus te deu esse talento, manda bala! Mas cá prá nós: chega de gravar Cd, ficar se apresentando a preços exorbitantes em feiras, congressos, encontros e afins e depois dizer que tem um “ministério” (que geralmente vem acompanhado pelo nome e sobrenome do “servo”).


Dia desses um amigo, o Wilian Olivato, voltou da Nicarágua e trouxe uma apresentação pro pessoal da Igreja sobre uma ONG onde eles e outros amigos trabalharam num lixão (La Chureca). As fotos eram impressionantes, pela pobreza, miséria e condições sub-humanas. Mas esse pessoal da Jocum associado a uma banda americana fez um trabalho super legal nesse lixão, realizando inclusive momentos de adoração. Você imagina o pessoal louvando e cantando no meio daquela “des- graça” toda? O Wilian nos contou que o pessoal dessa banda junta recursos prá ir até esses lugares e realizar esses trabalhos sociais/espirituais/humanitários. Não é o máximo?


Prá mim, isso é ministério. É o sujeito ter a sua carreira musical, vender seus cd´s, fazer suas apresentações e shows (chame como quiser) e investir esses recursos na pregação, assistência social, ensino. Isso é ministério. E o caso se torna mais sério ainda quando o ministério se auto-proclama de “louvor”, ou “de adoração”.


A cada dia vejo os “levitas” mais bem vestidos, com suas super casas, seus super carros... Nada contra, mas então por que usar o nome de “ministério”? Na minha concepção não haveria nenhum problema o “irmão” e a “irmã” se considerarem “artistas cristãos”. Ficaria até mais bonito e íntegro.


Na verdade os culpados por esse mercantilismo todo da fé somos nós... Nós é que compramos e estimulamos essas criaturas a encherem os bolsos cada vez mais e mentirem prá nós dizendo que possuem ou fazem parte de um “ministério”.


Se você está revoltado comigo por essas palavras, experimente contatar qualquer um desses ministérios de “louvor” prá cantarem na sua igreja ou evento. Mas antes prepare-se prá gastar tudo e um pouco mais. “De graça recebestes, de graça dai”. Começo a desconfiar que a adoração seja direcionada ao próprio umbigo.


Afinal, que mi(ni)stério é esse?


Maurício Boehme

domingo, 3 de agosto de 2008

Sinceramente... eu prefiro os vales!!


Semana passada eu completei mais um ano de vida. No total já se somam 35, e acredito que seja um bom momento para repensar algumas coisas. O legal de avançarmos na caminhada é que podemos dar uma olhada para trás e ver por onde passamos; talvez isso mude radicalmente a direção que daremos á jornada que vem pela frente!


Já passei por vários momentos de vida: trilhei bons e maus caminhos; ás vezes na jornada eu tive companhias, ás vezes estive só; outras vezes estive cercado de pessoas mas me senti totalmente desamparado. Algumas vezes meus olhos contemplaram paisagens agradáveis; por outras só vi tristeza e desolação. Obtive muitas e significativas vitórias, mas também colecionei fracassos homéricos. Inúmeras vezes não mereci a vitória, mas do Alto ela me veio, sem nenhuma explicação racional para isso.


De tudo isso, o que mais me marcou foram as lutas e as dificuldades. Elas me ensinaram muitas lições. Se você me perguntar do que eu mais gostei nessa minha curta jornada de vida, sem nenhuma hesitação eu diria: dos vales! Eu costumo comparar a jornada a uma estrada que ás vezes é plana e larga; ás vezes é esburacada, estreita e numa subida íngreme. Eu gostei mais de quando passei pelos vales sombrios da vida, pode acreditar!


Não que eu goste de sofrer, mas os vales têm a sua função. Foi neles que eu senti as dores mais profundas da solidão, da traição, da necessidade física e material, da saudade, das decepções, dos fracassos, dos sonhos desfeitos. Foi nos vales da vida que eu esperava ansiosamente o sol brilhar e poder chegar ao alto da montanha novamente. Foi no frio dos vales, onde o calor demora a chegar, que eu procurei ardentemente a luz do sol. Foi lá que eu pude valorizar o bem-estar e a paz. A cada passo no vale eu como que fazia uma contagem regressiva para a grande reviravolta que seria chegar á planície, e depois ás alturas! Nos vales eu sentia uma força interior que brotava em meio á minha fraqueza, e era essa força que me motivava a continuar.


Como a vida é cíclica, aqui estou eu nas alturas, novamente. Estou feliz porque aqui em cima as coisas são diferentes. Aqui o sol brilha mais intenso, as pessoas são mais felizes e se fazem presentes ao nosso redor. O alimento é farto e o canto está presente facilmente nos lábios. Ter saído do vale e subido a montanha é recompensador. Mas algo me preocupa. Fico pensando que após um tempo no alto, a ordem natural é começar a descer novamente, e isso implica em passar por novos vales. Talvez eu nem devesse me preocupar com o que virá em seguida, mas não posso deixar de fazê-lo.


Quando estive nos vales sombrios, um pensamento me motivava: chegar ao alto! Agora que estou aqui, no alto, o que me motiva? É por isso que eu escrevo essas palavras: quando você passar pelos vales, não reclame – eles são necessários! E mais ainda: lembre-se que depois deles virá a planície, e depois as alturas. Tenho para mim que a maior virtude do vale é sinalizar que as coisas irão melhorar. É por isso que eu digo que sinceramente... eu prefiro os vales!

*esse texto foi escrito em novembro de 2007*

Maurício Boehme

Desatando os nós...


Os ‘nós’ de todos Nós


Marcos 4.35 - 5.20

Este texto possui uma incrível capacidade de desatar alguns ‘nós’ que embaraçam a rede com a qual ‘pescamos’ nossas experiências. Jesus conhecia muito bem a complexidade do ‘nó’ que aprisionava a mentalidade de seu povo, de homens como Pedro e João, e passa a desatá-lo. Ele os leva ao entardecer para ‘o outro lado do lago’, para a região da Peréia, longe da tranqüilidade da praia onde haviam passado o dia todo (num intenso estudo bíblico). Há um nó em seus estômagos, que embrulham muito antes do mar se empolar com a força das rajadas dos ventos súbitos e intensos, fenômeno típico do Mar da Galiléia. É o ‘cheiro dos peixes’ que o vento traz lá do outro lado. A rede da graça de Deus chegou pelas mãos de Jesus e dos discípulos àquele homem geraseno. Rede que ao prendê-lo, verdadeiramente liberta; ao libertá-lo, o amarra eternamente na missão de ir e contar o ‘quanto o Senhor fez’ (Mc 5.19). Assim como fez comigo e com você.

Parece confuso dizer que nós - eu, você, igreja - acabamos nos tornando os ‘nós’ da rede da Graça de Deus? Mais do que brincar com as palavras, desejamos levar a sério o fato de que nossa experiência com Deus será sempre uma ampla rede desembaraçada, a ser lançada aqui, ali, lá, acolá. Que Deus tire os ‘nós’ de cada um de nós.

Rev. Amauri Vassão Filgueiras