domingo, 3 de agosto de 2008

Sinceramente... eu prefiro os vales!!


Semana passada eu completei mais um ano de vida. No total já se somam 35, e acredito que seja um bom momento para repensar algumas coisas. O legal de avançarmos na caminhada é que podemos dar uma olhada para trás e ver por onde passamos; talvez isso mude radicalmente a direção que daremos á jornada que vem pela frente!


Já passei por vários momentos de vida: trilhei bons e maus caminhos; ás vezes na jornada eu tive companhias, ás vezes estive só; outras vezes estive cercado de pessoas mas me senti totalmente desamparado. Algumas vezes meus olhos contemplaram paisagens agradáveis; por outras só vi tristeza e desolação. Obtive muitas e significativas vitórias, mas também colecionei fracassos homéricos. Inúmeras vezes não mereci a vitória, mas do Alto ela me veio, sem nenhuma explicação racional para isso.


De tudo isso, o que mais me marcou foram as lutas e as dificuldades. Elas me ensinaram muitas lições. Se você me perguntar do que eu mais gostei nessa minha curta jornada de vida, sem nenhuma hesitação eu diria: dos vales! Eu costumo comparar a jornada a uma estrada que ás vezes é plana e larga; ás vezes é esburacada, estreita e numa subida íngreme. Eu gostei mais de quando passei pelos vales sombrios da vida, pode acreditar!


Não que eu goste de sofrer, mas os vales têm a sua função. Foi neles que eu senti as dores mais profundas da solidão, da traição, da necessidade física e material, da saudade, das decepções, dos fracassos, dos sonhos desfeitos. Foi nos vales da vida que eu esperava ansiosamente o sol brilhar e poder chegar ao alto da montanha novamente. Foi no frio dos vales, onde o calor demora a chegar, que eu procurei ardentemente a luz do sol. Foi lá que eu pude valorizar o bem-estar e a paz. A cada passo no vale eu como que fazia uma contagem regressiva para a grande reviravolta que seria chegar á planície, e depois ás alturas! Nos vales eu sentia uma força interior que brotava em meio á minha fraqueza, e era essa força que me motivava a continuar.


Como a vida é cíclica, aqui estou eu nas alturas, novamente. Estou feliz porque aqui em cima as coisas são diferentes. Aqui o sol brilha mais intenso, as pessoas são mais felizes e se fazem presentes ao nosso redor. O alimento é farto e o canto está presente facilmente nos lábios. Ter saído do vale e subido a montanha é recompensador. Mas algo me preocupa. Fico pensando que após um tempo no alto, a ordem natural é começar a descer novamente, e isso implica em passar por novos vales. Talvez eu nem devesse me preocupar com o que virá em seguida, mas não posso deixar de fazê-lo.


Quando estive nos vales sombrios, um pensamento me motivava: chegar ao alto! Agora que estou aqui, no alto, o que me motiva? É por isso que eu escrevo essas palavras: quando você passar pelos vales, não reclame – eles são necessários! E mais ainda: lembre-se que depois deles virá a planície, e depois as alturas. Tenho para mim que a maior virtude do vale é sinalizar que as coisas irão melhorar. É por isso que eu digo que sinceramente... eu prefiro os vales!

*esse texto foi escrito em novembro de 2007*

Maurício Boehme

Um comentário:

Angela boheme disse...

Felicidades, Mauricio!! Muitos anos de vida e sonhos realizados!