quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Emoção Prá Valer


Você provavelmente já deve ter ouvido essa frase num jingle da Coca-Cola. Durante muito tempo essa foi a trilha sonora da minha vida. Não sei explicar como, nem quando nem por que; mas experimentar fortes emoções sempre me seduziu. Fui fortemente guiado por um sentimento de aventura, de busca pelas coisas novas. Pode parecer bom, mas no final tudo isso se mostrou algo ruim e que fez sofrer muito.

Houve um tempo em que as fortes emoções se traduziam na transgressão. Impetuoso como sou (ou era?) passei a sentir um gosto enorme por quebrar as regras estabelecidas, estimulado pela adrenalina que isso me trazia. Na escola, nas amizades, em tudo. Como recompensa muita tristeza e uma expulsão de um colégio pago.

Aí veio a conversão ao evangelho e sua mensagem revolucionária. Agora sim! Encontrei uma outra trilha sonora prá justificar minha radicalidade (“Revolução” – Katsbarnea). Já que a ordem é seguir a Cristo, vamos fazer dessa jornada uma grande aventura, dizia eu. Os anos mais tenros da minha mocidade eu gastei nessa aventura: vigílias, pregações, louvor, congressos, mais música, escola dominical, mais música, coca-cola, acampamentos, música... Nada era empecilho.

Fui ficando mais velho, e o que deveria se acomodar com o avançar dos anos foi se incendiando. Aquele desejo de fortes emoções, de grandes aventuras e o desejo pelo que estava “por vir” me fazia não ficar contente com nada. Chegou a vez dos grandes projetos religiosos (agora eu tinha o poder nas mãos). Mais música, grandes eventos, construções, reformas, música, mais coca-cola, campanhas... Quando tudo parecia ter se esgotado eu invento de dar uma guinada geral na vida e no ministério e sou pivô da maior das mudanças vivenciadas até então: largar tudo, todos e junto com a esposa recomeçar um novo tempo. A trilha sonora dessa mudança foi “Jesus, você me libertou” (Dago Schelin - Vineyard Music).

Mas algo me incomodava. Pode alguém ficar eternamente atrás das fortes emoções, das grandes aventuras? Tive que parar. Cheguei á conclusão que precisava ser mais contente com o que tinha, e perceber mais o que Deus estava me dando. Era tempo de parar de ficar com os olhos postos apenas no futuro, e vivenciar o presente.

Hoje posso dizer que estou curado. Estou mais sossegado, mais pacato e calmo. É um misto de amadurecimento físico, espiritual e emocional. Hoje a trilha sonora, quer dizer, o lema tem sido o salmo 131: “SENHOR, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim”. A luta é diária. Me sinto como um viciado que entende que cada dia é um dia, e cada dia é uma vitória.

Sendo assim, procuro praticar a simplicidade, e saber que “menos é mais” em todos os aspectos da vida. Quero fazer sossegar a minha alma, pois entendo que já sou coadjuvante da maior de todas as histórias de aventura: fazer parte do Reino de Deus.


Mauricio Boehme, ex-hiperativo sócio-espiritual.

Um comentário:

Camis disse...

texto fabuloso... relatando um resumo da sua história de vida, e em todas as fases vemos algo em comum: Jesus cuidando de Ti e te trazendo pra beeeem pertinho dEle! O muito sem Deus é nada e o pouco com Ele é MUITO! Que Deus continue usando sua vida para tocar as nossas pastor...abraços!! Camila (ItapetiNINJA)