domingo, 24 de maio de 2009

Não consigo entender!


Por mais que eu tente, existem coisas que até hoje eu não entendi. Eis algumas delas:

- Porque quando vamos ensinar uma música nova na Igreja, pedimos para as pessoas sentarem? Música antiga canta-se de pé; música nova, sentado?

- Porque combatemos tanto quando um casal de namorados fica "grávido", e não agimos da mesma maneira com os demais que estão com uma vida sexual ativa, mas não ficam "grávidos"?

- Porque damos um peso excessivo à não entrega dos dízimos, e não lidamos igualmente com a questão da fofoca e comentários?

- Porque no acampamento podemos louvar o Senhor de chinelos, bermudas, bonés e na Igreja precisamos ter "reverência"?

- A reverência é ao Senhor o ao Templo?

- Porque as pessoas querem ter banda larga mesmo tendo uma mente tão estreita?

- Porque sempre começamos as atividades na Igreja atrasados, mas nunca terminamos além do horário?

- Porque pregamos que Cristo liberta, mas quando a pessoa se filia à Igreja colocamos uma série de pesadas obrigações extra-bíblicas?

- Porque as demonstrações de alegria no teatro, nos shows, no futebol são somente isso - demonstrações de alegria, mas na igreja são chamadas de "emocionalismo"?

- Porque uma pessoa é um amor de irmão, mas quando é eleito presbítero muda radicalmente de atitude?

- Porque os músicos insistem em dizer "vire para o irmão que está ao lado e diga..."?

- Porque não aceitamos qualquer pessoa pregando no culto ou dando aula na Escola Dominical sem ter o preparo adequado, mas para participar da equipe de música sim?

Tenho mais perguntas sem respostas, mas vou deixar para depois.

Maurício "continuo sem entender" Boehme

Porque eles têm que ser assim?


Depois de dez anos "à frente" do ministério pastoral, ficar "no banco" observando as coisas sob uma outra ótica tem me feito pensar bastante. Reparo no tipo de linguagem que os pastores usam; reparo nas roupas que eles usam; reparo na postura que eles têm. E confesso, não gosto nada! E olha que eu também já fiz tudo isso.

Porque os pastores têm que se vestir diferente dos demais? Porque o discurso deles tem que ser rebuscado com termos que são incomuns e nem sempre compreendidos? Começo a desconfiar que eles mesmo nem sabem o que estão fazendo, é uma herança sem questionamentos. Aprenderam a ser assim com seus mestres, que por sua vez herdaram esses costumes do mais antigos.

Talvez eu esteja errado, mas tudo parece passar a mensagem de que os pastores são um tipo diferente de seres humanos. É como que se aqueles ternos fossem uma armadura, que os blinda dos acontecimentos que só acometem os seres humanos "normais". Passam a impressão de superioridade, de um nível de existência superior. O discurso parece ser feito sob medida para ser apreciado, e não vivido. Quanto mais termos em grego e em hebraico, mais eles mostram sua erudição. Quanto mais termos teológicos complexos forem abordados, mas serão admirados pelo seu conhecimento. Experimente chamar o seu pastor pelo nome, sem usar o título de "Reverendo", "Pastor" ou seja lá qual título ele ostente. Chame-o pelo nome. Veja-o como seu irmão na fé. Entenda suas dificuldades, que são as mesmas que as de todos os critãos. Experimente entender que chamá-lo pelo nome não é "falta de respeito". Conheço uma Igreja que repreendeu seu pastor pelo simples fato de no dia da Ceia ele estar trajando uma camisa de mangas curtas; falta de respeito!

Quero que os pastores sejam mais humanos, e menos "Reverendos". Quero que eles falem uma língua que o mais inculto dos ouvintes possa entender perfeitamente, fazendo com que a mensagem não se perca por causa da "erudição". Quero que os pastores tenham coragem de ser "gente como a gente", abrindo seus corações acerca das suas lutas e dificuldades, para que os ajudemos. Quero vê-los como irmãos mais experientes na fé, e não como "gurus infalíveis".
Quero entender poruque eles têm que ser assim. Quero entender porque um dia fui assim.

Maurício "não uso mais terno" Boehme.

Quero morrer.


Calma! Não estou pensando em suicídio, nem tão pouco estou acometido por uma profunda depressão que me levaria a querer dar fim à minha curta e insignificante existência. Mas confesso que esse papo de morte me atrai a um tempo.

Existem pessoas que não pensam nela. Outros a ignoram completamente. Mas é certo que um dia ela virá. A questão toda é como lidamos com essa questão.

Tenho a impressão que nós cristãos estamos totalmente fora de sintonia em relação ao que a Bíblia nos diz sobre a morte, e o que virá após ela. Se lêssemos mais e melhor a Bíblia, saberíamos que a morte é apenas uma "promoção", uma etapa a ser superada. Temos idéias erradas a respeito da vida, e como não as teríamos acerca da morte? Vivemos como se fôssemos durar 200 anos, e achamos que as intervenções cirúrgicas e as avançadas técnicas da ciência nos farão durar mais. Nos apegamos de uma maneira absurda aos bens materiais, às pessoas, aos lugares; parece que aqui é o nosso lugar! Mas sabemos que a Bíblia diz que o nosso lar não é aqui. Nos esquecemos que essa curta existência humana (que dura 70, 80 ou no máximo 90 anos) é apenas um ensaio para a grande apresentação que não será aqui. A nossa vida é como um petisco, uma "amostra grátis" daquilo que será no Céu.

Se você entende o que Deus tem reservado lá na frente, não deveria ter medo de morrer. É certo que a separação, a ausência, a dor e a tristeza são reais; mas tudo isso deveria ser suprido pelo conforto e consolação do Espírito Santo em sabermos que o nosso lar é o Céu, e que lá é um lugar ma-ra-vi-lho-so!

Se não fosse assim, como poderia o escritor bíblico afirmar que "viver é Cristo; morrer é lucro"? (Paulo, em Filipenses 1:21). Aliás, Paulo mesmo nos diz que se a semente não MORRER, não brota. É simples, nós que complicamos.

Se você estiver em dia com sua fé, em paz com Deus, não há porque temer a morte. Aliás, um grande sinal de amor a Deus é o desejo maior de estar com Ele, e logo!

Eu já perdi muitas pessoas, que morreram. Sei como é triste sepultar alguém querido. Sinto a ausência daqueles que eu amava tanto e que se foram. Mas fico confortado por saber que um dia estarei num lugar que não haverá choro, nem morte, nem tristezas, nem dívidas, nem decepções. E sei também que o meio para chegar a esse lindo lugar é através da morte.

Sendo assim, prepare-se para a morte. Viva intensamente. Reveja seus conceitos e prioridades. Faça uma faxina no coração. Dê o que não usa mais a quem precisa. Seja mais simples. Pratique a Palavra na sua pureza. Faça e viva coisa boas, mas não se esqueça: prepare-se para a morte. E entenda que ela é um meio de "sermos promovidos".

Maurício "morro a cada dia desde que nasci" Boehme

terça-feira, 5 de maio de 2009

Não escuto Caetano


Sinceramente? Tenho a impressão que muitas pessoas na falta do que falar, reproduzem aquilo que ouvem, sem mesmo saber do que falam. Algo muito comum é alguém responder, quando perguntado sobre que cantores ou banda gostam, dizer: "bem, gosto de Caetano, Chico, Vinícius". Esse tipo de resposta, quando sincera e verdadeira, é linda. Mas quando reproduzida apenas para fazer efeito, é uma porcaria. E no meio cristão é a mesma coisa. Não aguento mais ler/ouvir/ver as pessoas responderem que gostam de "Vencedores, Janires, Volô, etc...". Parece que dá um certo status criticar todos os demais tipos de música e citar esses "tropicalistas brazucas". Sei que eles tiveram o seu valor. Mas não posso negar que assim como o mundo dá voltas, novos ritmos chegam e novos grupos surgem.

Outra coisa que me dá nos nervos: os que ficam dizendo que tudo é "worship", "made in USA", e que as nossas expressões de adoração não são legítimas porque somos brasileiros, etc e tal. Particularmente eu não gosto de MPB. Não suporto samba. Não curto música raiz. Gosto de rock britânico. Sou fã dos "power trios" (bateria/guitarra/baixo). Gosto do rock dos anos 70. Que mal existe em curtir Hillsongs e Vineyards da vida? É uma questão de gosto. A música é arte, e como tal existe em várias formas: sertaneja, rock, samba, axé, "hinos de fogo"! Deixem o povo adorar a Deus de acordo com o ritmo que melhor desejarem! Que tal pararmos de criticar os irmãos norte-americanos? Eles produzem música, e a fazem de uma maneira que deveria nos estimular a repensar o que consideramos "qualidade". Sim, reconheço que há muita porcaria, letras horríveis, músicas pobres. Mas isso existe em qualquer ritmo ou nacionalidade. Já adorei a Deus ao som de Cassiane. Já senti a presença de Deus nos rocks do Rodolfo. Já fui confortado ao som de muita "Comunidade" por aí. Tenho o meu gosto pessoal, e tento respeitar o do próximo. Mas que está enchendo essa pregação nacionalista-tupiniquim, isso tá.

Se você tem menos de trinta anos, provavelmente nunca ouviu Caetano tocar no rádio. Talvez nem saiba o que seja Chico Buarque. E o Hendrix, então? O que tem de guitarrista que se diz influenciado por ele sem nunca sequer tê-lo ouvido! É isso, é um desabafo. Quero escutar o que quiser sem ser censurado ou criticado. Não é necessário concordar comigo; apenas respeite o meu direito.

E para encerrar: corremos o grande risco de considerarmos bom somente aquilo que foi feito no passado, e esquecermos de fazer parte do que Deus está usando HOJE.

Maurício "não escuto Chico e Caetano" Boehme

Eu não culpo o Régis Danese


Eu não culpo o Régis Danese. Nem tão pouco os cantores "gospel". Penso que de certa forma eles são fruto de um sistema, são apenas a ponta do "iceberg". O buraco é mais embaixo.

Desde que alguém descobriu que gravar músicas cristãs, evangélicas, gospel (ou chame como quiser) dava muito dinheiro, a coisa toda se perdeu. Criou-se um mercado que para sobreviver precisa de lucros, e isso a qualquer custo. Não precisa ser cristão. Não precisa crer no que se canta. Não precisa ter compromisso. E, pasmem, nem sequer precisa cantar bem! Precisa apenas dizer as palavras certas no momento certo, na igreja ou convenção certa e pronto! Os cd´s e dvd´s vão sendo vendido ás turras e a conta bancária vai engordando. Mas onde começa tudo isso?

Começa na cabeça dos pastores desse pessoal. Começa na liderança da Igreja onde eles congregam. Sim, porque conceitos são ensinados e absorvidos, não caem do céu. Esse pessoal é estimulado a ser "cantor" do Senhor, e colocam na cabeça deles que o sonho maior a ser conquistado é gravar o cd/dvd, e assim será mais fácil "conquistar o Brasil". Esses líderes moldam a mente e o coração dos pupílos, a ponto de mesmo sem entender nada da matéria, vemos que tal cd/dvd teve a sua produção executiva pelo pastor/bispo/apóstolo fulano de tal.
Os pastores e líderes na verdade dão corda ao desejo de fama desses pobres discípulos, que acabam caindo na tentação e trilham o caminho da "fama evangélica".

Soma-se a isso nós, um bando de tontos que ouvimos, compramos, assistimos, gravamos, pagamos e divulgamos esse mercado nojento da música gospel/evangélica/cristã, que de santa não tem nada. Nós temos culpa nisso tudo. Pagamos milhares de reais para que esses caras cantem em nossas igrejas, damos a "oportunidade" e o microfone para que eles ensinem (e mal!) os nossos irmãos. Pagamos suas passagens de avião; atendemos às suas absurdas exigências para participarem por 30 minutos contados no relógio das nossas atividades. Nós somos os culpados. Se eles existem é porque nós consumimos.

Por isso, não culpo o Régis Danese e Cia Ltda. Reconheço a minha parcela de responsabilidade.

Maurício "faço parte desse triste circo" Boehme

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Antes de partir


O filme já tem alguns anos, mas ontem o assisti novamente. Não pude conter a emoção da história! Quantas lições podemos tirar para a vida diária! É emocionante ver o personagem de Jack Nicholson no velório do amigo dizer que a sua vida havia sido salva pelo exemplo do amigo morto.

Ao listarem aqueles 10 desejos que deveriam ser realizados "antes de partir', eles nos dão grandes lições de vida. Ah, se a gente entendesse o valor das pequenas coisas, da amizade, das pessoas! Porque somente á beira da morte entendemos o que realmente tem valor nessa vida e aquilo que é secundário? Eu queria poder viver isso a cada dia, entender a brevidade dos dias e fazer com que cada dia vivido fosse tão intenso como se fosse o último. Mas infelizmente não consigo.

O escritor Rick Warren nos conta em seu livro "Uma Vida com Propósitos" que não devemos deixar para dar valor ás coisas que mais importam quando estivermos perto demais do fim. Ele cita um exemplo de alguém que, em fase terminal, não deseja rever suas obras de arte, nem seus quadros preciosos, nem as escrituras de suas propriedades, nem mesmo ser levado para dar uma volta em seus potentes automóveis. Quando alguém se encontra em fase terminal, essa pessoa quer rever o irmão que a muito tempo não vê, quer abraçar os filhos e netos, quer a companhia das pessoas!

Eu quero descobrir o que é importante nesse mundo. Quero deixar o supérfulo de lado e viver para aquilo que é essencial. Oro para que Deus me dê sabedoria para gastar meu tempo, minha saúde, meus recursos e tudo o que tenho e sou naquilo que realmente importa... antes de partir!

Maurício "pensando na partida" Boehme

Ganha-Ganha


As surpresas e as decepções fazem parte da vida. Às vezes mais surpresas, outras vezes mais decepções; mas elas sempre se fazem presentes! As últimas decepções que tive me fizeram pensar sobre como é difícil conviver com as pessoas! E a tristeza veio por causa do padrão que muitos adotam, o "levar vantagem em tudo".

Aprendi a um tempo atrás duas lições muito valiosas com um amigo. A primeira é que deveríamos viver no sistema "ganha-ganha". Se num relacionamento entre duas pessoas (sentimental, comercial, trabalhista, etc) uma delas estiver lucrando às custas do prejuízo do outro, isso não é bom. O ideal seria que tudo fosse medido pelo padrão do "bom para ambas as partes", ou seja, o "ganha-ganha". Se para me satisfazer eu tiver que fazer você se prejudicar, quebro as regras do bom senso e da justiça que Deus exige. Na verdade, pelo padrão divino, a ética do Reino, nós deveríamos escolher LEVAR o prejuízo a DÁ-LO! E justamente aí reside a minha decepção: o que as pessoas tem feito hoje para se beneficiarem ás custas do prejuízo alheio. Isso é muito triste.

Outra lição que aprendi é a de sempre começar um relacionamento DANDO CRÉDITO. Ou seja, não começar nenhuma caminhada já na base da desconfiança, com os pés atrás. Talvez você me chame de ingênuo, tonto; mas é esse o caminho da verdade. Não pré-julgar, não iniciar a caminhada com o outro já te devendo algo. Que tal darmos mais credibilidade, mais confiança, mais segurança ás pessoas?

Maurício "tentando confiar mais" Boehme