domingo, 24 de maio de 2009

Porque eles têm que ser assim?


Depois de dez anos "à frente" do ministério pastoral, ficar "no banco" observando as coisas sob uma outra ótica tem me feito pensar bastante. Reparo no tipo de linguagem que os pastores usam; reparo nas roupas que eles usam; reparo na postura que eles têm. E confesso, não gosto nada! E olha que eu também já fiz tudo isso.

Porque os pastores têm que se vestir diferente dos demais? Porque o discurso deles tem que ser rebuscado com termos que são incomuns e nem sempre compreendidos? Começo a desconfiar que eles mesmo nem sabem o que estão fazendo, é uma herança sem questionamentos. Aprenderam a ser assim com seus mestres, que por sua vez herdaram esses costumes do mais antigos.

Talvez eu esteja errado, mas tudo parece passar a mensagem de que os pastores são um tipo diferente de seres humanos. É como que se aqueles ternos fossem uma armadura, que os blinda dos acontecimentos que só acometem os seres humanos "normais". Passam a impressão de superioridade, de um nível de existência superior. O discurso parece ser feito sob medida para ser apreciado, e não vivido. Quanto mais termos em grego e em hebraico, mais eles mostram sua erudição. Quanto mais termos teológicos complexos forem abordados, mas serão admirados pelo seu conhecimento. Experimente chamar o seu pastor pelo nome, sem usar o título de "Reverendo", "Pastor" ou seja lá qual título ele ostente. Chame-o pelo nome. Veja-o como seu irmão na fé. Entenda suas dificuldades, que são as mesmas que as de todos os critãos. Experimente entender que chamá-lo pelo nome não é "falta de respeito". Conheço uma Igreja que repreendeu seu pastor pelo simples fato de no dia da Ceia ele estar trajando uma camisa de mangas curtas; falta de respeito!

Quero que os pastores sejam mais humanos, e menos "Reverendos". Quero que eles falem uma língua que o mais inculto dos ouvintes possa entender perfeitamente, fazendo com que a mensagem não se perca por causa da "erudição". Quero que os pastores tenham coragem de ser "gente como a gente", abrindo seus corações acerca das suas lutas e dificuldades, para que os ajudemos. Quero vê-los como irmãos mais experientes na fé, e não como "gurus infalíveis".
Quero entender poruque eles têm que ser assim. Quero entender porque um dia fui assim.

Maurício "não uso mais terno" Boehme.

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