quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ela me traz tristeza e Alegria.


Hojé é quarta-feira. Hoje é dia de participar de grupo caseiro. E no grupo caseiro hoje é dia de Ceia. A Ceia é essa mal compreendida entre nós. Muitas vezes ela acontece na solenidade dos cultos, onde parece ser tão rápida que mal dá pra gente se concentrar no que está acontecendo (afinal, o culto tem que terminar). Outras vezes ela acontece á beira da morte num leito do enfermo. Outras tantas ela se dá na presença festiva da comunidade cristã ou em eventos especiais. De terno, de bermudas, com gente boa, gente não recomendável... a Ceia vai acontecendo todos os dias mundo afora.

"Sinal visível de uma graça invisível", disse Agostinho. Mais do que um pedaço de pão e um suco a Ceia me traz à memória coisas tristes: morte, sofrimento, castigo. Olho para o pão em minhas mãos e penso que eu deveria ter morrido por causa dos meus erros. Eu deveria ter morrido, e não Cristo! Por mais que eu me esforçe não consigo ser fiel, ser verdadeiro e justo o bastante para que Deus diga: Eis um filho de quem tenho orgulho! Não, pelo contrário. Vivo essa vida dupla, lutando contra essa força que mora no meu corpo e tanto me domina, me fazendo errar e afastar de Deus. Tristeza, vergonha, dor. É isso que eu sinto. Com o copo de suco em minhas mãos, vejo que eu sou responsável pelo derramar daquele sangue inocente. Cada chibatada, cada humilhação, cada cusparada que Cristo levou eram dirigidas a mim na verdade. Mas o sangue dele, uma vez derramado, me trouxe vida, perdão, salvação, reconciliação. É muito complexo entender isso, mas pela fé eu aceito.

Meus batimentos se aceleram, a temperatura corporal aumenta e começo a transpirar acima do normal. O pão que está em minhas mãos, sem perceber, começa a ser amassado pela forte emoção que toma conta do meu corpo. De repente aquela tristeza toda que eu sentia começa a dar lugar a uma alegria. Esse sentimento bom vem da doce voz que sinto em meu coração, dizendo-me que sou amado, que sou aceito. Mesmo sendo errado e só dando tristezas ao Pai, ele se agrada da minha vida por causa do sacrifício que Jesus fez de si mesmo na cruz. Aquele pão representa o corpo. Aquele copo com suco representa o sangue. Já não sou mais culpado, sou reconciliado. Alegre, começo a louvar a Deus, e como o pão e bebo o suco. Eu trago para a minha vida essa "graça invisível" por meio desses "sinais visíveis".

Mais uma reunião termina. Cantamos, oramos e parece que a vida volta ao normal. E volta mesmo! Isso porque por meio da Ceia e seu significado eu assumo e confesso tudo o que Jesus fez por nós. Por isso, e somente por isso, é que a vida volta ao normal e toma o seu curso. E eu deixo a tristeza de lado e começo a viver a "imerecida vida, de graça recebi" da canção.

Que tal você vir com a gente participar da próxima Ceia?

Maurício "fazendo isso até que Ele volte" Boehme

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